A HORA DO ”ÂNGELUS”

IGREJA CATÓLICA, REFLEXÃO RELIGIOSA Faça um comentário »
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Abusos sexuais devem ser condenados de modo inequívoco, afirma Bento XVI
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[sábado: 19 de julho de 2008].
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Na missa que celebrou na catedral de Sydney, na manhã deste sábado, 19, o papa Bento XVI condenou os abusos sexuais cometidos por padres e religiosos na Austrália contra crianças e adolescentes. “Desejo abrir aqui um parêntesis para confessar a vergonha que todos sentimos depois dos abusos sexuais sobre menores cometidos por alguns sacerdotes e religiosos desta nação”, disse.
“Estes agravos, que constituem tão grave traição da confiança, devem ser condenados de modo inequívoco. Causaram grande sofrimento e prejudicaram o testemunho da Igreja”, afirmou. Segundo o papa, os responsáveis por tais males “devem ser levados diante da justiça”, enquanto as vítimas devem receber “compaixão e tratamento”.
Durante a missa, Bento XVI consagrou o altar da catedral e chamou a atenção também para a tentação de colocar Deus à parte. “Muitas vezes encontramo-nos imersos num mundo que deseja pôr Deus à parte. Em nome da liberdade e autonomia humanas, o nome de Deus é passado em silêncio, a religião fica reduzida à devoção pessoal e a fé é banida da praça pública”, acentuou.
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Vigília
À tarde, o papa se dirigiu ao Hipódromo de Randwick, onde teve início a Vigília de Oração, ponto alto da XXIII Jornada Mundial da Juventude, que se realiza em Sydney desde o dia 15.
”Nesta noite, rezo por vocês e pelos jovens de todos os cantos do mundo. Deixem-se inspirar pelo exemplo dos seus santos padroeiros. Acolham em seus corações e em suas mentes os sete dons do Espírito Santo. Reconheçam e acreditem na força do Espírito Santo em suas vidas”, disse Bento XVI, saudando os milhares de jovens que ficarão em vigília toda a noite até às 10h (horário local) de amanhã, quando o papa celebrará a missa de encerramento do evento.
“Queridos jovens, o Espírito Santo realiza a maravilhosa comunhão dos fiéis em Cristo. Por sua natureza de doador de graças e dons, agora Ele atua por meio de vocês; façam com que o amor unificante seja a sua medida, o seu desafio, a sua missão. Os dons do Espírito imprimem a direção e a definição do nosso testemunho”, exortou.
Ao final de seu discurso, o papa saudou os jovens em várias línguas. Aos de língua portuguesa ele conclamou a receberem o Espírito Santo para serem Igreja. “Meus queridos amigos, recebei o Espírito Santo, para serdes Igreja! Igreja quer dizer todos nós unidos como um corpo que recebe o seu influxo vital de Jesus ressuscitado. Este dom é maior que os nossos corações, porque brota das entranhas da Santíssima Trindade. Fruto e condição: sentir-se parte uns dos outros, viver em comunhão. Para isso, jovens caríssimos, acolhei dentro de vós a força de vida que há em Jesus. Deixai-O entrar no vosso coração. Deixai-vos plasmar pelo Espírito Santo”.
O assessor do Setor Juventude da CNBB, padre Gisley Azevedo, falou do clima de emoção que marcou a espera do papa para a Vigília. “Que coisa maravilhosa! Milhares de jovens acampados numa noite de muito frio, esperando o papa para a Vigília. Depois ficarão acampados à noite toda até a missa de encerramento da jornada. É linda essa galera jovem!”, classificou.
A Vigília prossegue toda a noite com a Adoração do Santíssimo Sacramento, alternada com orações, cantos e momentos de reflexão. No Brasil, em algumas dioceses, os jovens também farão vigília na noite de hoje, entrando em comunhão com os jovens que estão em Sydney.
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EDITORIAL: ”DECIFRA-ME OU TE DEVORO”

CORRUPÇÃO, EDITORIAL, JUDICIÁRIO, POLÍTICA Faça um comentário »

Sábado, Julho 19, 2008

EDITORIAL: “DECIFRA-ME OU TE DEVORO”

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O caminho da impunidade
Uma série de notícias mais ou menos discretas, comentários e citações, publicada hoje pelos jornais, oferece a pista para o leitor sobre a direção que está sendo dada ao volumoso inquérito que a Polícia Federal batizou de Satiagraha. Um detalhe está em declaração do ministro da Justiça, Tarso Genro. Ele afirmou ontem a uma emissora de rádio, e a Folha de S.Paulo reproduz hoje, que o relatório apresentado pelo delegado Protógenes Queiroz para fundamentar os pedidos de prisão preventiva que tanto sensibilizaram altas figuras da República, indicavam “instabilidade na forma de conduzir as questões”. Os advogados do banqueiro Daniel Dantas com certeza já correram atrás da gravação da declaração de Tarso Genro.
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Ora, se o próprio ministro da Justiça coloca sob suspeita o equilíbrio de seu subordinado, responsável pelo inquérito, não fica difícil para os defensores oficiais de Dantas desmontarem a acusação.
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Faltaria pouco para alguém demonstrar que não houve fraudes, que a tentativa de corrupção era brincadeira, que o instável delegado agiu movido por sentimentos mesquinhos e que Daniel Dantas merece, na verdade, ser beatificado.
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Outro detalhe do noticiário pode levantar no leitor e cidadão uma suspeita ainda mais grave. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, permitiu que o senador Heráclito Fortes, do Partido Democratas, citado no inquérito, tenha acesso aos autos. A razão é simples: o parlamentar é apontado no inquérito como lobista do grupo Opportunity. Dessa forma, o senador fica oficialmente incluído no rol dos investigados. Se Heráclito Fortes quiser, poderá requerer que o caso seja transferido das mãos do juiz Fausto Martin de Sanctis para o Supremo Tribunal Federal. Como se sabe, Dantas andou alardeando que temia apenas a Polícia Federal e a primeira instância da Justiça, e que no STF as coisas andariam a seu favor. Os jornais seguem publicando novas descobertas de irregularidades no banco controlado por Daniel Dantas.
Revela-se, por exemplo, que o Banco Central registra operações suspeitas no Opportunity desde 2002. Está nas mãos do senador Heráclito Fortes, que já se declarou publicamente amigo de Daniel Dantas, transferir o processo para o ambiente onde o banqueiro se sente seguro. Está nas mãos da imprensa investigar por que Dantas faz pouco caso da Suprema Corte. Mais uma trapalhada.
A aparição do presidente da República na televisão, com olhar transtornado, exigindo que o delegado Protógenes Queiroz reassuma o caso Daniel Dantas ou peça para sair foi uma decisão equivocada. A divulgação de trechos da conversa na reunião que decidiu pelo afastamento do delegado só aumenta a confusão.
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Alberto Dines:- A sociedade brasileira só acredita em grampos e vazamentos – é o que se deduz da esdrúxula idéia do governo de gravar a reunião da cúpula da Polícia Federal e distribuí-la para a imprensa. Se a intenção era mostrar que o governo não forçou o delegado Protógenes Queiroz a se afastar da Operação Satiagraha, o resultado foi oposto: a reunião durou três horas, a Polícia Federal só divulgou quatro minutos, descontínuos, que não provam coisa alguma. Uma nota pública da PF junto com uma declaração escrita do delegado teriam mais credibilidade e não correriam o risco de serem ridículas. A verdade é que o conceito em sânscrito de Satiagraha, “vontade e firmeza”, corre o risco de ser traduzido para o português como “enorme trapalhada”. Nunca, em tão curto tempo, cometeram-se tantos desatinos como neste caso. O que deixou o Executivo constrangido não foi o conflito entre o presidente do STF e um juiz de primeira instância, foi o vazamento de um relatório protegido pelo segredo de justiça que atingiu o staff da presidência da República. Se desejasse mostrar firmeza o governo deveria prontamente punir os autores do vazamento. Não o fez porque teria que punir com a mesma severidade aqueles que vazaram o dossiê com os supostos gastos do presidente FHC. A mídia que se serve de vazamentos – porque não quer ou não sabe investigar – prefere passar ao largo de uma discussão crucial em benefício do interesse público. O único a mexer-se até agora foi senador Expedito Júnior, de Roraima, que resolveu fazer uma emenda ao projeto de lei para controlar abusos com grampos. Como é da base aliada, não quer castigar os vazadores, quer punir o veículo de comunicação que divulgar o vazamento. Expedito Júnior está oferecendo um novo modelo de mordaça. Ao invés de obrigar o governo a respeitar o Estado de Direito, quer acabar com ele.
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Postado por Luciano Martins Costa em 18/7/2008 às 8:34:35 AM
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Os mal-informados informam
Pergunto a um experiente colega, que ocupa cargo de primeira linha em um dos principais jornais brasileiros:
“Você se considera bem informado sobre o caso Daniel Dantas?”
“Em linhas gerais”, responde.
Muito pouco para quem está no ofício de informar.
E o pior é que, desde a entrada em cena da Operação Satiagraha, o grosso da informação é vazamento – que os jornais e os leitores, como Alberto Dines foi o primeiro a ressaltar, aceitam de bom grado.
E nem tudo que vaza é potável, ou tem o mesmo sabor.
Tome-se o caso do afastamento do delegado Protógenes Queiroz. Vazou para a imprensa inteira que, na reunião dos federais da qual ele saiu saído – e foi para isso que ela se deu –, Protógenes falou em continuar trabalhando na investigação nos fins de semana [porque de segunda a sexta ficaria em Brasília para completar um curso que iniciara em março].
Para a Folha, isso significa que “sentindo-se desautorizado, o delegado decidiu precipitar sua saída…”.
Para o Estado, isso signfica que “Protógenes resistiu o quanto pôde e chegou a se oferecer para trabalhar só nos finais de semana”. E, reiterando, dois parágrafos adiante: “Ele concordou em sair de foco da crise e da mídia, mas sem se desligar do comando do caso…”.
Ontem, o presidente Lula desancou o policial, chamando-o de “esse cidadão” – como se, de livre e espontânea vontade, ele tivesse resolvido tirar o time de campo, deixando no ar um serviço começado quatro anos atrás.
A imprensa pode só saber “em linhas gerais” o que vai pelo caso Dantas. Mas sabe – e sabe porque foi informada disso – que, naquela mesma segunda-feira, Lula aprovou a remoção do delegado, numa conversa com o ministro da Justiça, Tarso Genro.
Como a Folha titulou: “Presidente havia avalizado afastamento na 2a”.
A imprensa também já tinha sido deliberadamente informada de que, em dobradinha com o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa – o tal que saiu de férias em meio ao tiroteio -–, Tarso armava a guilhotina para decepar o cabeça do inquérito contra Dantas e companhia bela.
Em linhas gerais, é isso aí.
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P.S.
Enquanto atola a barca, ganha o dia o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, com a seguinte constatação:
“Há deputados e senadores que vazam mais que chuveiro, tem ministros de tribunais superiores que falam mais com a imprensa do que nos autos, tem Polícia Federal que age fora da lei, tem Ministério Público que às vezes também abusa de sua autoridade.”
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[Postado por Luiz Weis em 17/7/2008 às 4:35:27 PM].
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A HORA DO ”ÂNGELUS”

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As duas bacias (*)

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Os objetos tem valor em si, mas também seu valor se torna diferente, a partir do significado que lhe damos. Assim, uma bacia tem sentido em si, mas adquire significados diferenciados nas mãos de Pilatos e de Jesus. A bacia de Pilatos serve para a autojustificação. Seu valor é voltado para o egoísmo. Pega um significado de acusação contra o povo presente. Ele quis dizer que considerou Jesus livre de culpa, mas o condena porque os representantes do povo o exigem. “Sou inocente do sangue desse homem” (Mt 27, 24). A bacia de Jesus é sublime, porque é altruísta. O Mestre pensa no bem dos discípulos, não em si. Ao lhes lavar os pés quis mostrar que devemos ser serviçais uns para com os outros, aliviando as imperfeições que cada um carrega. Ao fazer ablução na bacia, o governador romano olha para si, querendo purificar-se a si diante da multidão. Jesus olha para os outros. Quer tirar as poeiras e as imperfeições dos outros, e ainda enxuga os pés com uma toalha. Quer vê-los em pureza completa. A bacia serviu para um ensinamento que beneficia os séculos.
O Ministério da Saúde vai fornecer 400 máquinas (só?) para distribuir camisinhas nas escolas. Certamente se apóia na opinião de muitas mães, que aprovam tal medida. Elas querem livrar suas filhas da gravidez indesejada e da praga da aids. O poder público, para se livrar de acusações, confirma, sim, que os fins justificam os meios. Ao mesmo tempo em que livra as jovens da gravidez, também estimula a libertinagem sexual, o desprezo pela família estável, o pouco caso pela fidelidade conjugal, a superação dos tradicionais “bons costumes”. Assim, a escola, em vez de elevar os formandos para um nível mais civilizado, declara sua falência. O Ministério está dizendo que hoje em dia não se segura mais a devassidão moral. Isto é, a escola não consegue mais educar. E a moral cristã, com suas propostas de retidão de costumes para os jovens, de castidade, de guardar-se para a pessoa amada, de construir uma família estável e duradoura, fica como uma proposta de um mundo futuro. Essa é a única proposta honesta a ser feita. É uma proposta pelo bem dos educandos.
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(*) Dom Aloísio Roque; Oppermann scj, Arcebispo de Uberaba (MG).
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PF/OPERAÇÕES FRUSTADAS [In:] ”OS ESCANDÂLOS NOSSOS DE CADA DIA”

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DANTAS, NAHAS & PITTA
Os mesmos de sempre e a culpa da imprensa

 

 Os mesmos de sempre: parecem personagens de um interminável seriado. Mudam os montantes dos assaltos, mudam os ambientes e os truques, mas a história é a mesma: lucros fabulosos com operações altamente sofisticadas, sempre ilegais.  

 

Os trambiques de Naji Nahas já têm quase duas décadas, Daniel Dantas protagoniza o noticiário dos escândalos há três lustros e o novato Celso Pitta enrosca-se em negócios escusos há quase oito anos.

Chamá-los de incorrigíveis e reduzir esta persistência a uma compulsão pela imoralidade é uma forma de minimizar o fenômeno e retirar dele o aspecto sistêmico e institucional.

A culpa pela impunidade não é da imprensa, mesmo se quisesse não poderia acompanhar todos os escândalos simultaneamente, há tanto tempo. As sucessivas reprises e repetecos têm causas bem definidas: a lentidão da Justiça, que leva uma eternidade para dizer quem é inocente e quem é culpado, e a fascinação de grupos próximos ao poder pelos “gênios” políticos e financeiros que se infiltram nos gabinetes com idéias mirabolantes.

É preciso não esquecer que o mensalão, onde começou o novo capítulo da biografia de Daniel Dantas, foi criado por outro gênio, o lobista Marcos Valério, por sua vez estimulado pelos gênios que pretendiam criar num passe de mágica uma maioria no Congresso.

O escândalo da Varig resultou da preguiça das autoridades em encontrar uma solução rigorosa e honesta para salvar a companhia aérea.

Zuleido Veras, o dono da Gautama, inventou um nome místico para uma fabulosa engenharia sem obras.

Atrás de cada escândalo há um fraudador brilhante, criativo e um séquito de advogados, executivos e políticos fascinados pela facilidade em embolsar indevidamente grandes quantias.

A imprensa só tem uma culpa: a de não conseguir levar a todos os recantos e grotões a bandeira da decência e da probidade.

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[Por Alberto Dines em 10/7/2008. Comentário para o programa OI no Rádio, no ar em 10/07/08].

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=493JDB011

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PF/OPERAÇÃO SATIAGRAHA: ”LIBERTAS”

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STF decide pela liberação de Daniel Dantas e mais 10 pessoas

[da Folha Online ]

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, decidiu pela liberação do empresário Daniel Dantas, de Verônica Dantas (irmã e parceira de negócios), e de mais nove pessoas presas na terça na Operação Satiagraha da Polícia Federal.

Na decisão, Mendes considera “desnecessária” a prisão preventiva dos suspeitos, pois não há ameaça às provas colhidas durante a operação da Polícia Federal.

“Ainda que tais fundamentos fossem suficientes, o tempo decorrido desde a deflagração da operação policial indica a desnecessidade da manutenção da custódia temporária para garantir a preservação dos elementos probatórios.”

A operação cumpriu na terça-feira 24 mandados de prisão após investigação de suposta prática dos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras.

Mais cedo Mendes autorizou que os advogados de defesa do banqueiro tivessem o direito ao acesso aos autos que envolvem as denúncias contra Dantas. O presidente do STF recebeu na tarde desta quarta-feira as informações que solicitou à na 6ª Vara Criminal da Seção Judiciária.

Além de Dantas e Verônica, foram libertados Daniele Silbergleid Ninnio, Arthur Joaquim de Carvalho, Carlos Bernardo Torres Rodenburg, Eduardo Penido Monteiro, Dório Ferman, Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomaz, Maria Amália Delfim de Melo Coutrin, Rodrigo Bhering de Andrade.

Há quatro anos a Operação Satiagraha investiga suposta prática dos crimes em operações financeiras. Além de Dantas, a PF prendeu ontem o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Nahas e outras 14 pessoas. A decisão do STF não beneficia Nahas e Pitta.

Também foram apreendidos documentos, computadores, veículos e dinheiro em espécie que ainda está sendo contabilizado. Somente em um local foram apreendidos cerca de R$ 1,1 milhão.

Investigação

Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.

Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.

Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Os presos na operação devem ser indiciados sob as acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha.

Dantas

O Ministério Público Federal acusa o grupo do banqueiro Daniel Dantas de ter movimentado, entre 1992 e 2004, quase US$ 2 bilhões por meio do Opportunity Fund, uma offshore no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe. Dantas foi preso no Rio, juntamente com sua mulher –tida como “laranja” do marido–, a irmã dele e o cunhado.

“Essa organização criminosa tinha como seu líder o Daniel Dantas”, disse Protógenes Queiroz, delegado da Polícia Federal responsável pelas investigações. “Nós nos deparamos, primeiramente com um grupo de pessoas e depois com uma organização criminosa muito bem estruturada”, reiterou.

O advogado de Dantas, Nélio Machado, afirmou que a operação é resultado de uma “perseguição implacável” de representantes do setor público a seu cliente. Machado acusa representantes do setor público de perseguirem seu cliente. Ele disse acreditar que a operação da PF é decorrência da briga societária envolvendo Brasil Telecom e a Telecom Itália.

Dantas fundou o grupo Opportunity em 1993. O banqueiro ganhou notoriedade ao se associar com o Citigroup, para se tornarem sócios do consórcio que venceu a concessão de telefonia que criou a Brasil Telecom. Depois iniciaram uma disputa societária que só terminou com a venda da empresa para a Oi (ex-Telemar) no início deste ano. Durante essa disputa foi acusado, entre outras coisas, de espionagem.

Ele aproximou-se da política no governo Fernando Collor de Mello. Depois tornou-se economista do PFL. Ganhou fama, entretanto, na época das privatizações da telefonia, em 1998, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

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CAPITALISMO, “FORDISMO”, “TOYOTISMO”, “INDIANISMO” … (?)

ECONOMIA INDUSTRIAL Faça um comentário »

HENRY FORD

Henry Ford (Springwells, 30 de Julho de 1863Dearborn, 7 de Abril de 1947) foi um empreendedor estadunidense, fundador da Ford Motor Company e o primeiro empresário a aplicar a montagem em série de forma a produzir em massa automóveis em menos tempo[1] e a um menor custo.[2]. A introdução de seu modelo Ford T revolucionou os transportes e a indústria norte-americanos.[3] Ford foi um inventor prolífico e registrou 161 patentes nos EUA.[4] Como único dono da Ford Company, ele se tornou um dos homens mais ricos e conhecidos do mundo.[5]

A ele é atribuído o “fordismo“, isto é, a produção em grande quantidade de automóveis a baixo custo por meio da utilização do artifício conhecido como “linha de montagem”, o qual tinha condições de fabricar um carro a cada 98 minutos, além dos altos salários oferecidos a seus operários — notavelmente o valor de 5 dólares por dia, adotado em 1914.[6]

Ford via no consumismo uma chave para a paz.[7] Ele não confiava em contadores, tendo reunido uma das maiores fortunas do mundo sem ao menos possuir auditoria em sua companhia. A companhia teve sua primeira auditoria depois que Henry Ford II se tornou seu diretor [carece de fontes?]. O intenso empenho de Henry Ford para baixar os custos resultou em muitas inovações técnicas e de negócios, incluindo um sistema de franquias que instalou uma concessionária em cada cidade da América do Norte, e nas maiores cidades em seis continentes. Ford deixou a maior parte de sua grande riqueza para a Fundação Ford, mas providenciou para que sua família pudesse controlar a companhia permanentemente.

PRIMEIROS ANOS

Ford nasceu em 30 de julho de 1863, em uma fazenda próxima a um município rural a oeste de Detroit, no estado do Michigan (este espaço hoje faz parte de Dearborn). Seu pai, William Ford (1826-1905), nasceu em County Cork, Irlanda. Sua mãe, Mary Litogot Ford (1839-1876), nasceu em Michigan, e era a mais nova dos filhos de imigrantes belgas; seus pais morreram quando Mary era uma criança e ela foi adotada pelos vizinhos, os O’Herns. Os irmãos de Henry Ford são: Margaret Ford (1867-1868); Jane Ford (c 1868-1945), William Ford (1871-1917) e Robert Ford (1873-1934).

Ford iniciou sua trajetória com motores, digamos assim, na fazenda de seu pai. Ele era responsável pelos reparos nas máquinas da fazenda, mostrava muita habilidade para inovar e sua principal intenção era observar o funcionamento mecânico das máquinas e equipamentos. A vida na fazenda era difícil, exigia serviços pesados feitos à mão. Por causa disso, desde menino Ford já demonstrava o interesse em diminuir o trabalho manual com o uso de máquinas. No ano de 1875, com doze anos, o contato com um locomóvel a vapor o levou a estudar os carros automotores[8].

Sua mãe morreu em 1876, o que veio como um golpe que destruiu o jovem Henry. Seu pai desejava que Henry no futuro assumisse a fazenda, mas Henry não tinha gosto pelos trabalhos agrícolas. Com o falecimento de sua mãe, muito pouco permaneceu para o manter na fazenda. Mais tarde ele disse a seu pai: “Eu nunca tive qualquer amor especial pela fazenda — era a mãe na fazenda que eu amava”.[9]

Aos quinze, ele tinha a reputação de reparador de relógios, tendo desmantelado e remontado as peças de relógios de amigos e vizinhos dezenas de vezes[10]. Em 1879, com 16 anos , ele deixou sua casa e foi para a cidade vizinha Detroit, para trabalhar como aprendiz de operador de máquinas, primeiro na empresa James F. Flower & Bros., e mais tarde na Detroit Dry Dock Co. Em 1882, ele retornou a Dearborn para trabalhar na fazenda da família e se tornar experiente na operação dos motores a vapor portáteis da Westinghouse. Aos 19, Ford entrou para a Companhia Westinghouse, no conserto e na montagem de locomóveis a vapor. Em 1885, trabalhando como mecânico das oficinas da Eagle Motor Works, em Detroit, seu interesse se concentra nos motores a explosão. Dois anos depois, Ford construiu seu primeiro motor desse tipo, movido a gasolina.[11]
Ford se casou com Clara Ala Bryant (c1865-1950) em 1888, e se sustentava com a exploração da fazenda e mantendo uma serraria.[12] Eles tiveram um único filho, Edsel Bryant Ford (1893-1943) e adotaram um da China.[13]

Por volta do ano de 1890, Ford assumiu o lugar de engenheiro maquinista na cidade de Detroit na Edison Illuminating Company. Em 1893, após sua promoção ao cargo de Engenheiro Chefe, Ford passou a ter bastante tempo e dinheiro para dedicar-se às suas experiências pessoais com motores a gasolina.[14] Estes experimentos culminaram em 1896 com a conclusão de seu próprio veículo automotor denominado Quadriciclo, que ele dirigiu em teste em 4 de junho. Depois de vários testes, Henry Ford planejou formas de melhorar o Quadriciclo.[15]

Sua primeira empresa foi a Detroit Automobile Company, sob a responsabilidade de ser engenheiro chefe, entretanto, a fábrica fechou devido à discordância com os outros diretores em relação à adoção da produção em massa como modelo padrão. Anos mais tarde, montou outra empresa, esta voltada para carros de corrida, contudo, a produção desses carros não obteve êxito. Mesmo assim, Ford persistiu com a idéia e juntamente com o projetista Harold Wills montou o chamado carro 999, com o qual Barney Oldfield se tornou campeão, divulgando o carro em todo país. Esse passo foi importante, pois o rendimento financeiro proveniente do sucesso de seu carro deu suporte financeiro a suas idéias e assim a Ford Motor Company foi fundada.[16]

Modelo T

Ver artigo principal: Ford Model T
Ford T

Ford T

O Ford Model T foi apresentado no dia 1 de outubro de 1908. Ele tinha muitas inovações importantes, como o volante no lado esquerdo, o que foi logo copiado por todas as outras companhias. O motor e o câmbio eram totalmente fechados. Os 4 cilindros eram fundidos em um bloco sólido, e a suspensão usava duas molas semi-elípticas. O carro era muito simples de se dirigir e, o mais importante, sua manutenção era barata. O veículo era tão barato em 1908, custando 825,00 dólares (o preço caía todo ano) que na década de 1920 a maioria dos motoristas norte-americanos aprenderam a dirigir o Modelo T, o que deixou boas memórias para milhões de pessoas.

Ford criou um sólido sistema de publicidade Detroit para garantir que cada jornal transmitisse notícias e anúncios sobre o novo produto. A rede de concessionários locais de Ford tornou o carro onipresente em praticamente todas as cidades da América do Norte. Como revendedores independentes, as franquias enriqueceram e fizeram a propaganda não apenas de Ford, mas também do próprio conceito de automobilismo; clubes locais de automóveis surgiram para ajudar novos motoristas e para explorar o campo. Ford foi sempre ávido para vender aos fazendeiros, que viram no veículo um dispositivo comercial para ajudar em seus negócios. As vendas subiram rapidamente - vários anos tiveram 100% de lucros em relação ao ano anterior. Sempre na busca de maior eficiência e menores custos, em 1913 Ford introduziu a montagem em esteiras em movimento nas suas instalações, o que permitiu um enorme aumento da produção. Embora seja atribuído a Henry Ford o invento, fontes contemporâneas indicam que o conceito e sua evolução vieram dos funcionários Clarence Avery, Peter E. Martin, Charles E. Sorensen, e C. H. Wills. As vendas ultrapassaram 250.000 unidades em 1914. Por volta de 1916, tendo o preço baixado para US$360,00 para os carros de passeio básicos, as vendas atingiram 472.000 unidades[17].

Por volta de 1918, metade dos carros na América do Norte eram Modelos T. A alta produção conseguida por Ford tem como característica marcante a escolha de uma única cor de veículo, que era preta. Desta forma, ele conseguia montar os veículos sem ter que diferenciar o processo de pintura. Existe uma frase famosa que Ford escreveu em sua autobiografia sobre a escolha da cor do veículo: “O cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto”.[18] Antes do desenvolvimento da linha de montagem, que exigia a cor preta por sua secagem mais rápida, o Modelo T era disponível em outras cores, incluindo o vermelho. Esse esquema era veementemente defendido por Henry Ford, e a produção continuou até 1927; a produção final total foi de 15.007.034 unidades. Esse foi um recorde que permaneceu por 45 anos.

Linha de montagem de Ford, em 1913

Linha de montagem de Ford, em 1913

Em 1918, o presidente Woodrow Wilson pediu pessoalmente a Ford para que se candidatasse ao Senado dos Estados Unidos da América, de Michigan, como um democrata. Embora a nação estivesse na guerra, Ford concorreu como um candidato pacífico e um forte apoiador da proposta Liga das Nações.[19] Em dezembro de 1918, Henry Ford transferiu a presidência da Ford Motor Company para seu filho Edsel Ford. Henry, entretanto, retinha a autoridade de decisão final e algumas vezes revogou as decisões de seu filho. Henry e Edsel compraram todas as ações restantes de outros investidores, dando deste modo à família exclusivo domínio sobre a companhia.

Por volta da metade da década de 1920, as vendas do Modelo T começaram a declinar devido à concorrência crescente. Outros fabricantes de automóveis ofereciam planos de pagamentos pelos quais os clientes podiam comprar seus carros, que comumente incluíam características mecânicas mais modernas e estilos não disponíveis no Model T. A pesar dos estímulos de Edsel, Henry recusava-se firmemente a incorporar novas características no Modelo T ou a criar um plano de crédito para os compradores.

[http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_Ford]

… CONTINUA.

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FARC - FORÇAS ARMADAS REVOLUCIONÁRIAS DA COLÔMBIA [In:] “THE DREAM IS OVER…”

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As FARC no papel do otário

A libertação de Ingrid Betancourt coroou o
fim de um resistente mito latino-americano.

De Sierra Maestra a San José del Guaviare cumpriu-se um ciclo na história da América Latina. Em Sierra Maestra, no sul da ilha de Cuba, onde, na passagem do ano de 1956 para o de 1957, se juntou o pequeno grupo de seguidores de Fidel Castro para iniciar a luta contra a ditadura de Fulgencio Batista, nasceu o mito do guerrilheiro romântico, destinado a pairar sobre a vida do continente pelo próximo meio século. Em San José del Guaviare, localidade da Colômbia em cujas cercanias foram resgatados, na quarta-feira passada, Ingrid Betancourt e outros catorze reféns das Farc, o mito, já abalado por sucessivas derrotas e desgastado pela velhice e pelo descrédito, conheceu um fim humilhante. As Farc, sua última encarnação, perderam o cacife que lhes restava sem direito a um único tiro para lhes salvar a honra. Foram vencidas, como o caipira que cai no conto-do-vigário, pelo truque de um adversário mais esperto.

A imagem do guerrilheiro que desce da montanha com a promessa de um mundo novo foi muito ajudada pelo clima reinante à época em que surgiu em cena. As barbas de Fidel Castro dialogavam com os cabelos compridos dos Beatles. Na salada geral dos anos 60, não importava que uns tivessem um fuzil na mão e outros pregassem paz e amor, que uns mirassem num regime de força e outros se refestelassem na anarquia; eram todos partes de um sonho em que tudo parecia possível. Em contraste, ao falecer, no início do ano, o líder das Farc, Manuel Marulanda, já não podia ombrear sequer com o antigo ídolo do rock reduzido a cantor de churrascaria. Era pior: o cantor que perdera a voz, e mal dedilhava a guitarra desafinada. A Manuel Marulanda, el Tirofijo, segundo o apelido que tentava insuflar-lhe alguns trocados de prestígio, coube o destino cruel, para um guerreiro, de morrer na cama. Ao contrário de Che Guevara, não conheceu, nem conhecerá, a glória das camisetas e dos pôsteres.

O Muro de Berlim desabou, a Guerra Fria chegou ao fim, o capitalismo mostrou-se dono de muito mais que sete fôlegos. Não repisemos essas histórias. As causas pelas quais as Farc não encontraram o mesmo terreno favorável da guerrilha cubana são conhecidas. Fiquemos com a questão do mito. Na América Latina, tão mais dada à retórica do que à ação, tão mais tentada pela fantasia do que pela realidade, a noção de que um pequeno grupo de jovens, um ideal na cabeça, uma barba no queixo e um fuzil na mão, fosse capaz de reinaugurar o mundo sobreviveu a mais de uma geração. A derrota de Che Guevara na Bolívia não a arrefeceu, muito pelo contrário. Serviu de inspiração para movimentos guerrilheiros (muitas vezes degenerando em terrorismo) que floresceram da Venezuela ao Uruguai, da Nicarágua ao Chile, passando pela Argentina e pelo Brasil.

Um dos últimos, o Sendero Luminoso, do Peru, já exibia os sinais de fadiga que haveriam de culminar nas Farc: a prática do crime pelo crime, o casamento com o narcotráfico. A imagem do líder do Sendero, Abimael Guzmán, exibido numa jaula dentro da qual esperneava como um gorila e rugia como um urso, depois de preso e levado a julgamento, no começo dos anos 90, distanciava-se irremediavelmente do olhar romântico do Che, tal qual capturado na foto de Alberto Corda. Na etapa seguinte, os ativistas das Farc iriam merecer o epíteto infamante de narcoguerrilheiros. E em meses recentes destacaram-se como torturadores dados a manter seus seqüestrados presos a troncos de árvores.

As Farc cumpriram à perfeição o roteiro imaginado pelo cientista político americano Eric Hoffer: “Toda grande causa começa como um movimento, vira um negócio e finalmente degenera numa quadrilha”. Ou melhor, até anteciparam a ordem prevista por Hoffer, na medida em que os ramos de negócio que abraçaram, o narcotráfico e o seqüestro, já se confundiam com atividades quadrilheiras. Não há mito que resista. A imagem que hoje comove o mundo não é a do guerrilheiro vencido, como, nos anos 60, a de Guevara morto. É a de Ingrid Betancourt, a vítima da guerrilha.

O arremate veio na forma como foram libertados os reféns, na semana passada. Na aurora do mito, esperta era a guerrilha, e os governos é que eram feitos de bobo. Os tupamaros, nos primeiros tempos, antes de o conflito com a ditadura uruguaia virar um torneio de sangue, eram especialistas em brincar de esconder com os agentes da repressão. Faziam uma manifestação-relâmpago em certo lugar e quando a polícia chegava estavam em outro. Assaltavam um banco e corriam para distribuir o dinheiro entre os pobres. Na operação de resgate da semana passada, agentes do governo colombiano fingiram-se de guerrilheiros e assim obtiveram a pacífica entrega dos reféns. Pode ser que a história não seja bem essa, e tenha envolvido o suborno de algum chefe ou chefete da guerrilha. Em qualquer caso, as Farc entraram de trouxas na história. É difícil, mas vá lá que o mito até possa ter resistido à degenerescência do ideal em negócio, ou do negócio em crime. Não pode resistir à fama de otário.

[Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo, VEJA].

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PF/OPERAÇÃO SATIAGRAHA: “CAIU NA REDE É…”

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PF PRENDE PITTA, DANTAS, NAHAS E MAIS 14 EM MEGAOPERAÇÃO

FERNANDO ANTUNES
colaboração para a Folha Online

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira, durante a Operação Satiagraha, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Nahas, o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e outras 14 pessoas suspeitas por desvio de verbas, corrupção e lavagem de dinheiro.

A operação cumpre 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e em Brasília. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. No Rio, a PF já cumpriu nove mandados de prisão e em São Paulo, oito.

“Essa organização criminosa tinha como seu líder o Daniel Dantas”, disse Protógenes Queiroz, delegado da Polícia Federal responsável pelas investigações. “Nós nos deparamos, primeiramente com um grupo de pessoas e depois com uma organização criminosa muito bem estruturada”, reiterou.

Dantas foi preso no Rio, juntamente com sua mulher, cunhado e irmã. Eles são transferidos para São Paulo. A Polícia Federal apreendeu quatro carros importados, sendo que três deles possivelmente seriam de Nahas, além de documentos e um cofre.

A Justiça decretou as prisões temporárias de dez pessoas ligadas a Dantas: Verônica Dantas (irmã e parceira de negócios), Carlos Rodemburg (sócio e vice-presidente do banco Opportunity), Daniele Ninio, Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Dorio Ferman, Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomaz, Maria Amália Delfim de Melo Coutrin e Rodrigo Bhering de Andrade.

Do grupo de Nahas, foram decretadas a prisão de mais dez pessoas: Fernando Nahas (filho), Maria do Carmo Antunes Jannini, Antonio Moreira Dias Filho, Roberto Sande Caldeira Bastos, os doleiros Carmine Enrique, Carmine Enrique Filho, Miguel Jurno Neto, Lúcio Bolonha Funaro e Marco Ernest Matalon e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, cliente dos doleiros, que teve operações financeiras ilegais interceptadas pela PF.

Também foi decretada a prisão preventiva de duas pessoas, que teriam, supostamente a mando de Dantas, oferecido, segundo o Ministério Público, US$ 1 milhão para um delegado federal que participava das investigações para que ele tirasse alguns nomes do inquérito. Uma delas, Hugo Chicaroni, foi presa hoje durante a operação. Na casa dele, a polícia teria encontrado R$ 1 milhão.

A PF e o Ministério Público pediram ainda a prisão do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal, por sua suposta participação na organização criminosa, mas o juiz federal Fausto de Sanctis entendeu que não existiam fundamentos suficientes para decretá-la.

Defesa

O advogado de Dantas, Nélio Machado, afirmou que a operação é resultado de uma “perseguição implacável” de representantes do setor público a seu cliente. Machado acusa representantes do setor público de perseguirem seu cliente. Ele disse acreditar que a operação da PF é decorrência da briga societária envolvendo Brasil Telecom e a Telecom Itália.

“Sei que há documentos na Itália que deixam comprometidos personagens comprometidos com o governo brasileiro, e esse episódio pode ter gerado uma vingança contra o meu cliente”, afirmou, no Rio.

Machado negou ligação direta de Dantas com Nahas e Pitta. Ele admitiu que Nahas prestou serviços à Telecom Itália na disputa judicial entre a empresa e a Brasil Telecom. O advogado disse ainda que não há motivos para que Dantas seja preso por supostas ligações com o esquema do mensalão.

“Se houvesse alguma ligação do meu cliente com o mensalão, ele teria sido denunciado pelo STF [Supremo Tribunal Federal]“, observou. Machado, no entanto, admitiu que Marcos Valério intermediou contratos de publicidade com a Telemig e a Brasil Telecom.

Nem o advogado de Celso Pitta nem o do investidor Naji Nahas se pronunciaram até a publicação desta reportagem.

Investigações

Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.

Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.

Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.

Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Os presos na operação devem ser indiciados sob as acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Eles serão transferidos para São Paulo, onde permanecerão na carceragem da Superintendência Regional da PF.

A operação conta com a participação de 300 policiais.

Trajetória

Celso Pitta foi prefeito de São Paulo entre 1997 e 2000, após ser secretário de Finanças na gestão anterior, de Paulo Maluf. Em março de 2000, sua ex-mulher, Nicéa Pitta, o acusou de participar de um esquema de corrupção –que foi conhecido como o “escândalo dos precatórios”.

Os desdobramentos deste caso fizeram com que ele perdesse o cargo na Justiça em maio daquele ano, recuperando a posição 18 dias depois. Mais tarde tentou, sem sucesso, se eleger deputado federal por duas vezes. Atualmente é filiado ao PTB.

Daniel Dantas é o dono do grupo Opportunity, fundado por ele em 1993. O banqueiro ganhou notoriedade ao se associar com o Citigroup, para se tornarem sócios do consórcio que venceu a concessão de telefonia que criou a Brasil Telecom. Depois iniciaram uma disputa societária que só terminou com a venda da empresa para a Oi (ex-Telemar) no início deste ano. Durante essa disputa foi acusado, entre outras coisas, de espionagem.

Ele aproximou-se da política no governo Fernando Collor de Mello. Depois tornou-se economista do PFL. Ganhou fama, entretanto, na época das privatizações da telefonia, em 1998, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Já o megainvestidor Naji Nahas, nascido no Líbano, chegou ao Brasil na década de 70 e ficou conhecido em 1989, quando foi acusado de ser um dos responsáveis pela quebra da Bolsa de Valores do Rio. Porém, foi inocentado –a decisão final sobre o caso ocorreu apenas em 2005. Nahas também se envolveu na disputa societária da Brasil Telecom ao trabalhar como consultor da Telecom Italia, que foi uma das interessadas na compra da companhia telefônica brasileira.

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“OPPORTUNITY”: UM BANCO DE ”OPORTUNIDADES”

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08/07/2008. 11h13

 INVESTIGAÇÃO É DESDOBRAMENTO DO CASO MENSALÃO:

ENTENDA A OPERAÇÃO SATIAGRAHA

 

As investigações da operação da Polícia Federal denominada Satiagraha, deflagrada nesta terça-feira com a finalidade de combater um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro, tiveram início há cerca de quatro anos. Entre outros foram presos o investidor Naji Nahas, o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e o ex-prefeito Celso Pitta.

A operação cumpre 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Brasília. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

> [Foto: Folha Imagem. PF prende o investidor Naji Nahas, o ex-prefeito Celso Pitta e o banqueiro Daniel Dantas].

As investigações são um desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso do mensalão e enviados à Procuradoria da República de São Paulo pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

A partir destes documentos foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. O empresário Marcos Valério, suspeito de ser o pivô do mensalão, é apontado como intermediador de um esquema que visava desviar recursos.

Os documentos recolhidos também sugerem que Dantas comandaria o que a PF considera uma grande organização suspeita da prática de diversos crimes. Empresas de fachada teriam sido criadas para camuflar o desvio de verbas.

Paralelo a esse esquema, a PF teria descoberto ainda a existência de uma segunda organização criminosa, integrada por doleiros e empresários que atuavam no mercado financeiro com a única intenção de lavagem de dinheiro. Nahas, segundo as apurações da Polícia Federal, comandaria um esquema que praticava fraudes no mercado de capitais. Para tanto os integrantes do grupo receberiam informações privilegiadas.

Outro foco de atuação desse esquema supostamente comandado por Nahas é a atuação paralela no mercado de moedas estrangeiras. Indícios apontam que o grupo pode ter recebido inclusive informações privilegiadas sobre taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

A PF informou que essas duas organizações, a comandada supostamente por Dantas e a que seria comandada supostamente por Nahas, atuavam de forma interligada para cometer crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha.

Ligação

A suposta ligação de Dantas e Nahas foi descoberta após a investigação baseada no banqueiro, que, por meio do Opportunity, era o gestor da Brasil Telecom, dona da Telemig e da Amazonia Telecom. Essas seriam as principais fontes de recursos do mensalão. A PF chegou a essa conclusão após quebra de sigilo do computador central do banco.

Com isso, as investigações a respeito do mensalão apontam que as empresas de telefonia injetaram R$ 127 milhões nas contas da DNA Propaganda, administrada por Valério. Essa era a fonte que alimentava o suposto esquema de pagamento ilegal a parlamentares, segundo a PF.

Entretanto, os dados disponíveis no material coletado não reuniam informações suficientes para elucidar os beneficiários do esquema. Os dados mostraram haver fortes indícios de prática de crimes contra o sistema financeiro nacional e também de evasão de divisas.

Dantas receberia informações privilegiadas de contatos que mantinha no meio das telecomunicações. Para investigar isso, as mensagens eletrônicas do servidor central do banco foram grampeadas.

Foi através de supostas correspondências trocadas entre Dantas e Nahas, por meio de mensagens eletrônicas, que a PF descobriu que os dois recebiam dados privilegiados.

Trajetória

Celso Pitta foi prefeito de São Paulo entre 1997 e 2000, após ser secretário de Finanças na gestão anterior, de Paulo Maluf. Em março de 2000, sua ex-mulher, Nicéa Pitta, o acusou de participar de um esquema de corrupção –que foi conhecido como o “escândalo dos precatórios”.

Os desdobramentos deste caso fizeram com que ele perdesse o cargo na Justiça em maio daquele ano, recuperando a posição 18 dias depois. Depois tentou, sem sucesso, se eleger deputado federal por duas vezes. Atualmente é filiado ao PTB.

Daniel Dantas é o dono do grupo Opportunity, fundado por ele em 1993. O banqueiro ganhou notoriedade ao se associar com o Citigroup, para se tornarem sócios do consórcio que venceu a concessão de telefonia que criou a Brasil Telecom. Depois iniciaram uma disputa societária que só terminou com a venda da empresa para a Oi (ex-Telemar) no início deste ano. Durante essa disputa foi acusado, entre outras coisas, de espionagem.

Ele aproximou-se da política no governo Fernando Collor de Mello. Depois tornou-se economista do PFL. Ganhou fama, entretanto, na época das privatizações da telefonia, em 1998, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Já o megainvestidor Naji Nahas, nascido no Líbano, chegou ao Brasil na década de 70 e ficou conhecido em 1989, quando foi acusado de ser um dos responsáveis pela quebra da Bolsa de Valores do Rio. Porém, foi inocentado –a decisão final sobre o caso ocorreu apenas em 2005. Nahas também se envolveu na disputa societária da Brasil Telecom ao trabalhar como consultor da Telecom Italia, que foi uma das interessadas na compra da companhia telefônica brasileira.

[Com informações da Folha de S.Paulo ].

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PAPA BENTO XVI: VALORIZANDO A TRADIÇÃO

IGREJA CATÓLICA Faça um comentário »
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A mensagem das roupas

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O papa Bento XVI está longe de ter o carisma de seu antecessor no trono de Pedro, mas sobressai pelo guarda-roupa. Os chapéus, gorros e sapatos vermelhos, assim como os óculos escuros, chegaram a lhe valer um posto na galeria dos homens “que melhor sabem combinar os acessórios no vestuário”, numa tirada maldosa da revista americana Esquire. Espalhou-se também o boato de que os rubros sapatos papais seriam da badalada marca italiana Prada, o que foi desmentido pelo Vaticano. Os acessórios usados pelo papa, na verdade, não guardam nenhuma relação com a moda nem representam uma opção estética. Eles estão carregados de significado religioso. São peças adotadas por pontífices do passado, resgatadas por Bento XVI como uma forma de recuperar a tradição da Igreja e, desse modo, reconectar a instituição à sua história milenar. “Mais do que qualquer outro papa da história recente, ele tem um profundo interesse nos trajes litúrgicos e não-litúrgicos que haviam sido abandonados”, disse a VEJA o padre Keith Pecklers, professor de história litúrgica da Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. “Isso sugere seu desejo de retomar elementos que ele acredita terem sido perdidos depois das reformas do Concílio Vaticano II.”

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Originalmente, os sapatos papais eram feitos de couro tingido de vermelho e decorados com uma cruz dourada, que devia ser beijada por aqueles que se dirigiam ao pontífice. Paulo VI, papa entre 1963 e 1978, eliminou a cruz dos calçados e interrompeu o costume do beijo. João Paulo I ainda usou os sapatos vermelhos, bem como João Paulo II no começo de seu pontificado. Logo depois, entretanto, o papa polonês os substituiu por sapatos marrons comuns. O vermelho dos sapatos representa o sangue do martírio de Cristo. O camauro e a mozeta, recuperados também pelo alemão, são acessórios que estavam em desuso desde o pontificado de João XXIII, encerrado em 1963. O camauro, um gorro de veludo vermelho enfeitado com pele de arminho, remonta ao século XIII. Aparece em pinturas que retratam pontífices como Inocêncio VII, Julio II, Bento XIV e Clemente XIII. O vermelho, nesse caso, explica-se pelo fato de ter sido, no passado, a cor distintiva dos papas na hierarquia da Igreja. Isso mudou no século XVI, quando Pio V instituiu o branco como a cor pontifícia. A mozeta é uma capa curta que cobre os ombros, parte das costas e dos braços. Uma das referências mais antigas do uso dessa peça vem de um afresco de Melozzo da Forlì, de 1477, que retrata o papa Sisto IV. A mozeta pode ser vermelha ou branca – na segunda versão, é usada na Páscoa e representa a alegria pela ressurreição de Cristo.
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Bento XVI passou a empunhar um cajado dourado e com a extremidade em forma de cruz grega. Ele é bem diferente do utilizado pelo papa anterior, que era prateado e tinha um crucifixo na ponta. O de Bento XVI pertenceu a Pio IX – cujo pontificado se estendeu entre 1846 e 1878. Além de mais leve do que o anterior, ele está mais de acordo com a tradição papal – que, até Paulo VI, jamais havia colocado um crucifixo na sua extremidade. O acessório é uma referência ao cajado com que o pastor conduz o rebanho e àquele com o qual Moisés conduziu o povo eleito à liberdade. Em seu livro O Espírito da Liturgia, lançado em 2000, Bento XVI já ressaltava a importância de reforçar a fé através do aspecto místico das celebrações, enriquecendo-as com símbolos tradicionais. Como diz um artigo recente do L’Osservatore Romano, jornal editado no Vaticano, o papa não se veste com Prada, mas com Cristo.
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[Christophe Simon/AFP]
Chapéu Saturno
O vermelho desse acessório era a cor distintiva dos papas na hierarquia da Igreja até o século XVI, quando Pio V instituiu o branco. Os papas João XXIII e João Paulo II chegaram a usar o saturno em viagens a países tropicais, mas não o adotaram sistematicamente
Pálio
A peça de lã branca evoca a ovelha desgarrada, carregada nos ombros pelo bom pastor. As cruzes vermelhas representam as chagas de Cristo. No começo de seu pontificado, Bento XVI vestia um modelo de pálio fora de uso desde o século IX. Recentemente, optou por um modelo semelhante ao de seus antecessores imediatos.
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[Patrick Hertzog/AFP]
Camauro
Assim como o chapéu saturno, o gorro vermelho, usado no inverno por Bento XVI, é uma herança do tempo em que essa era a cor oficial do pontífice. João XXIII foi o último papa do século passado a usar o camauro, que caiu em desuso a partir do pontificado de Paulo VI, iniciado em 1963
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[Foto: Mandel Ngam/AFP].
Mozeta
A capa curta, feita de damasco – uma seda com fios de cetim em alto relevo –, é branca, em referência à renovação simbolizada pela ressurreição de Cristo. A mozeta, usada pelo pontífice na Páscoa, foi introduzida no século XIII e não era vista desde o fim do pontificado de João XXIII, em 1963. Os últimos papas só adotaram a versão de verão da roupa, de cetim vermelho
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[Foto: Daniele la Monaca/Reuters].
Cajado
Simboliza o cajado com que o pastor conduz as ovelhas e aquele com que Moisés conduziu o povo eleito à liberdade. O utilizado pelo atual papa pertenceu a Pio IX, que governou a Igreja entre 1846 e 1878. João Paulo II usava o mesmo de seus antecessores imediatos, João Paulo I e Paulo VI, prateado e com um crucifixo na extremidade. O de Bento XVI traz uma cruz grega
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Sapatos vermelhos
Representam o sangue do martírio de Cristo. Antes do pontificado de Paulo VI, apresentavam apliques de cruzes douradas, que simbolizavam a autoridade papal. João Paulo II chegou a usar os sapatos vermelhos no início de seu pontificado, mas logo os substituiu por sapatos marrons comuns.

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[Vanessa Vieira].

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